Estamos a viver um momento político Histórico. Hoje, na
Assembleia da República, dá-se um passo decisivo contra a imoralidade
austeritária. Em nome da elevação moral, da dignidade, da liberdade e da honradez
impõe-se irmos para a rua festejar a derrota dos agentes da imoralidade política
e do seu governo que através do voto democrático cairá dentro de poucas horas
no Parlamento. Eu estarei lá, na manifestação convocada pela CGTP para festejar
o momento em que a esperança começa a ser devolvida à Nação. Pela Liberdade,
contra a submissão! Pela moralização da política governamental!
terça-feira, 10 de novembro de 2015
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Caiu a Máscara
Estamos a viver um tempo
politicamente interessante, mobilizador, cheio de atractivos, mas também muito perigoso,
porque se adensam os riscos de total definhamento da democracia. Como pano de
fundo temos uma séria crise da democracia que se tem vindo a intensificar com
assustadora celeridade. A estruturação de uma ditadura financeira na Europa
tornou-se evidente com o caso Grécia. Já não é necessária grande perspicácia
política para compreender que a perda de soberania desagua na extinção da
democracia efectiva no interior de cada pátria europeia.
No espaço nacional, emergiu, de
modo súbito, uma situação inédita na história desta nossa 2ªRepública: a
hipótese de concretização da tão sonhada e apregoada unidade de esquerda. Este
surpreendente agitar de águas em torno da procura de solução governativa,
motivado pela lúcida atitude do PCP de viabilizar um governo minoritário do PS
como primeiro gesto destinado a travar a onda antidemocrática gerada pela tão
em voga ideologia do austeritarismo, parece-me
concorrer para um promissor reavivar da chama da democracia.
Actuando de forma aparentemente
concertada, PCP e BE desferem forte e certeiro golpe na tão nefasta quanto
reaccionariamente empobrecedora política do “não há alternativa”. Toda esta agitação
tem tido, para mim, entre outras, a virtude de possuir especial utilidade
prática: pôr a nu o falso socialismo de muitos socialistas. Fez cair as velhas máscaras,
deixando bem expostos os perfis ideológicos reais de gente que tem passado a
vida a fingir que é de esquerda, que é socialista, que é contrário aos
interesses do universo direitista da coligação PaF, quando na realidade
pertence exactamente ao mesmo universo de interesses. Uma consolidada irmandade.
O exemplo mais exuberante deste
útil efeito imediato das negociações do PS com os partidos situados à sua
esquerda foi-nos oferecido pelo ex e pelo actual líder de uma central sindical,
a UGT. João Proença e Carlos Silva apressaram-se a vir a terreiro manifestar o
seu pavor. Assumiram protagonismo de solistas num coro de sujeitos mascarados
de socialistas, onde melodiam sob a batuta de destacados dirigentes do PS, e
até de putativos candidatos ao lugar de secretário-geral do partido. Um coro
que agora faz triunfante tournée pelos canais televisivos, bem como por todo o
restante território da comunicação social.
Após os mais agressivos quatro anos de política
contra o bem-estar dos trabalhadores, depois de uma política que gerou a maior transferência
de riqueza do trabalho para o capital de que há memória no Portugal
contemporâneo, estes sujeitos utilizadores do disfarce de representantes dos
trabalhadores, exemplo daquilo a que chamo o kitsch político, vêm afirmar que a única boa solução é manter no
poder os autores dessa política, através de uma aliança do PS com a coligação de
direita. O que, a concretizar-se, consistiria também grave traição ao sentido
de voto dos socialistas autênticos, que foram votar no passado dia 4 de Outubro
com o objectivo prioritário de varrer do poder esses inimigos dos trabalhadores
e da própria democracia, pois o discurso do “não há alternativa” é, por
definição, uma forma de negar a possibilidade de existir uma sociedade livre e democrática.
É a negação da possibilidade de escolha por parte do cidadão. Óbito da democracia.
A esperançosa unidade de esquerda
pode acabar por não se concretizar; mas a tentativa de a edificar teve já este
grande mérito: fazer cair as máscaras. Um belo contributo para o premente combate
ao kitsch político.
João Maria de Freitas-Branco
[Artigo de opinião, jornal PÚBLICO, edição de Domingo, 18 de Outubro de 2015, p.52]
domingo, 11 de outubro de 2015
Notas de Autor 5
Transcrição da minha participação no programa radiofónico "Notas de Autor", na TSF, emissão do dia 1 de Outubro:
Sempre fui um crítico opositor do pensamento por
compartimentos estanques. Por isso, na nota de hoje quero recomendar uma obra,
acabadinha de chegar aos escaparates das livrarias, e que é exemplo da negação
dessa persistente tendência para a arrumação em compartimentos estanques.
Continua a imperar a ideia de que ciência e emoções se excluem mutuamente, e
que o romantismo, enquanto movimento cultural enaltecedor do ideal de
subjectividade, é coisa absolutamente contrária, oposta, à Ciência, à
objectividade científica. Ora, a obra que vos quero recomendar, da autoria de
Richard Holmes, premiada pela Royal Society, e intitulada “A Era do
Deslumbramento”, parte da noção de espanto para demonstrar a existência
(e cito) de «uma ciência romântica, do mesmo modo que existe uma poesia
romântica». Numa prosa atraente, o autor faz uma espécie de romance biográfico da
ciência realizada entre a chegada do botânico Joseph Banks ao Taiti, em 1769
(integrado na expedição de James Cook), e a célebre viagem de Darwin a bordo do
Beagle, iniciada em 1831. No centro da narrativa está também a sedutora figura
do músico astrónomo William (ou Wilhelm) Herschel, bem como as primeiras
experiências de voo, com balões (o balonismo, os “globos aéreos”, como então se
dizia).
Felicito a Gradiva por mais esta feliz iniciativa editorial
que é também um gesto corajoso, dado não ser fácil em tempos de crise lançar no
acanhado mercado português uma obra com cerca de 700 páginas e bastante
iconografia.
Como o trabalho científico de William Herschel inspirou o
compositor Joseph Haydn, deixo-vos ao som da oratória “A Criação” (Die Schöpfung). Sugestão musical para
acompanhar a leitura proposta.
[TSF, 1 de Outubro de 2015]
sábado, 3 de outubro de 2015
Notas de Autor 4
Transcrição integral da minha participação na emissão de ontem do programa radiofónico "Notas de Autor", na TSF:
A minha nota de hoje é um
alerta – porque sou um autor-cidadão preocupado, muito preocupato.
Estamos a viver um período em que se misturam dois actos
eleitorais (legislativas e presidenciais)que, a meu ver, são os mais importantes da história desta nossa
2ªRepública desde 1975/76.
O austeritarismo promove
a desumanização, destruindo os valores que são os pilares do nosso ideal de
civilização. Cortar pensões, reduzir salários, criar pobreza, abalar o Estado
social são formas de atentar contra a Vida. E quando o amor à vida decai e o
poder é exercido por quem já não ama a Vida, o que acontece é que o Mal germina
e institucionaliza-se.
Para que se varra do poder os inimigos da Vida e se
consolide uma consciência cívica que impeça o regresso do Mal, do mal
organizado, institucionalizado, esse mal extremo de que falava Hannah Arendt, é
importante a memória. Recomendo, por isso, uma visita ao Museu do Aljube,
recentemente inaugurado e que é, em grandíssima parte, fruto do trabalho do NAM – Associação Cívica
Não Apaguem a Memória, de que sou director.
TSF, "Notas de Autor", 2 de Outubro de 2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Notas de Autor 3
Transcrição integral da minha intervenção radiofónica no programa "Notas de Autor" da TSF, no dia 30 de Setembro de 2015:
Quero hoje falar-vos de educação e da escola que temos.
Actualmente a educação está subjugada à ideologia imediatista do útil, imposta
pelos interesses do mundo dos negócios, das empresas e do Estado. A educação
tem-se curvado diante das imposições utilitárias da elite dos negócios para
quem a coisa mais importante é ganhar dinheiro, muito dinheiro, no imediato.
Foi precisamente há cem anos, em 1915, que foram publicados
dois dos mais relevantes textos sobre educação escritos por autores
portugueses, embora uma dessas obras tenha sido redigida em francês e editada
no estrangeiro: refiro-me ao livro de Faria de Vasconcelos sobre a “Escola
Nova” (Une école nouvelle en Belgique,
é o título original) e ao ensaio de António Sérgio “Educação Cívica”. Recomendo
a leitura destes dois escritos como forma de recuperar uma educação que abra
caminhos para que cada ser humano se possa tornar uma pessoa de carácter.
Não me canso de dizer: a grande crise não é a
económico-financeira mas sim a dos valores em voga. É uma crise cultural, uma
crise da civilização. Para a superar necessitamos de uma educação de qualidade
que concorra para aquilo a que tenho por hábito chamar a formação integral do
cidadão pessoa.
Como Sérgio e Vasconcelos eram admiradores de Beethoven,
sugiro que os leiam ouvindo o último disco da Maria João Pires, CD premiado,
com o 4º concerto para piano do Músico de Bonn.
João Maria de Freitas-Branco, TSF, programa "Notas de Autor, 30/09/2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Notas de Autor 2
Transcrição da minha intervenção de hoje no programa radiofónico "Notas de Autor", na TSF.
A minha actividade profissional como autor e trabalhador
intelectual estendeu-se sempre ao campo das Artes. Sou, por exemplo, presidente
do Ginásio Ópera, instituição
cultural e artística patrocinada pelo Montepio,
fundada no início deste século, tendo, portanto, 15 anos de actividade
ininterrupta – o que, atendendo ao desprezo pela cultura exibido nos últimos
anos pela política governamental, não deixa de ser obra digna de apreço.
Por isso, na nota de hoje quero recomendar o Ciclo de Música
Religiosa filmada que vai iniciar-se com o Requiem
de Mozart no próximo dia 9 de Outubro, na Igreja da Cartuxa, em Caxias
(concelho de Oeiras).
Como a produção de um espectáculo que envolve orquestra,
coro e solistas tem custos demasiado elevados para uma instituição sem fins
lucrativos e numa época de crise, o Ginásio
Ópera optou por organizar sessões em que se assiste a um concerto filmado
que tem a máxima qualidade artística (concertos do Festival de Salzburg, das
grandes salas de Viena, Berlim, Londres, Nova York, etc., contando com a participação
dos melhores intérpretes mundiais – os maiores maestros, as melhores
orquestras, os mais célebres cantores solistas). Toda a informação está online, na página do Ginásio Ópera no Facebook.
Aqui fica o convite para o Requiem de Mozart, no próximo dia 9 de Outubro.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Notas de Autor
Fui convidado para participar,
mais uma vez, no programa radiofónico “Notas de Autor”, na TSF, uma emissão
diária, às 12h25 com repetição às 17h50, realizada em parceria com a SPA –
Sociedade Portuguesa de Autores. O texto que agora aqui se publica é a
transcrição da emissão de hoje, segunda-feira, dia 28 de Setembro de 2015; mas
como habitualmente acontece, em virtude das limitações de tempo, a emissão
editada e radiodifundida é mais curta. Assim, a publicação da transcrição da
gravação não editada permite dar a conhecer na íntegra o conteúdo da minha nota
de autor. O programa também pode ser escutado no site da TSF.
Como é sabido, a minha actividade como autor centra-se na Filosofia, e
esta, tal como a entendo, é em grandíssima medida, ou até essencialmente, uma
reflexão sobre a ciência, sobre o modo como se vai construindo a verdade
objectiva, o conhecimento.
Nesta nota, gostava, por isso, de chamar a atenção para uma efeméride
científica recheada de implicações filosóficas: o centenário da criação da
Relatividade Geral – ou seja, da 2ªparte da Teoria da Relatividade de Albert
Einstein.
Trata-se de um gesto criativo que exprime a mais pura genialidade; tão
genial que até parece uma impossibilidade! A ideia de curvatura do espaço-tempo,
uma nova concepção da gravidade, a ideia de expansão do universo, etc. Coisas
extraordinárias brotando da cabeça de um único homem, ou de um homem único!
Estou a escrever um ensaio exactamente sobre o que considero ser o
contributo da Relatividade para uma visão materialista do mundo, opondo-se a
uma concepção mística/irracional do mistério
– condição do trabalho científico. Recentemente publiquei outro trabalho sobre
Einstein. Um estudo pioneiro sobre a relação entre o pensamento do cientista e
o do nosso filósofo António Sérgio. Intitula-se “Sérgio e Einstein: Aspectos de
uma empatia intelectual” e está integrado num volume editado pelo Centro de
Filosofia da Universidade de Lisboa sobre o Grupo Seara Nova. O título é:
“Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova”. Deixo o convite para que o
leiam.
João Maria de Freitas-Branco, TSF, “Notas de Autor”, 28/09/2015.
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