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quinta-feira, 14 de abril de 2022

José Manuel Tengarrinha -- Recordação

 

Se o historiador José Manuel Tengarrinha ainda estivesse entre nós, teria feito 90 anos no passado dia 12 de Abril. Helena Pato, administradora do grupo “FASCISMO NUNCA MAIS! (no Facebook), lembrou nesse dia o combatente antifascista falecido em 2018. Comentei a publicação com o seguinte texto:

Para além de todas as cumplicidades de muitos anos, ainda tive o gosto acrescido de ter estado com o José Manuel Tengarrinha numa histórica experiência democrática: a primeira vez que em Portugal se utilizou o formato de primárias abertas para a constituição de uma lista de candidatos às eleições legislativas, rompendo com a tradição dos candidatos indicados pelas cúpulas partidárias. Uma feliz iniciativa do partido LIVRE tendo em vista as Eleições Legislativas de 2015. Como fomos ambos escolhidos nessas primárias abertas, integrámos depois a lista oficial de candidatos do LIVRE/Tempo de Avançar à Assembleia da Republica. Foi a primeira vez que o LIVRE se apresentou às eleições legislativas, não tendo conseguido eleger nenhum candidato. Curiosamente, o mandatário nacional dessa candidatura era também um prestigiado historiador: José Mattoso. Boas memórias. É sempre bom recordar o José Manuel Tengarrinha e justo prestar-lhe homenagem. Abraço grande, Helena.

João Maria de Freitas Branco
Caxias, 14 de Abril de 2022

domingo, 10 de abril de 2022

Conversa virtual sobre a guerra na Ucrânia (continuação)

 

Resposta de Francisco Bethencourt (8/4/22):

«Aprecio o tom desta ultima mensagem, mas nao me parece que o uso do nuclear seja para breve. A derrota da tentativa de conquista da Ucrania esta a assentar, os russos estao a digerir o triunfalismo deslocado e a humilhacao de um exercito baseado em bluff e inferiorizado por corrupcao generalizada. Optaram por concentrar-se num improvisado plano B de conquista do Donbas e da costa do mar Negro. Veremos se conseguem obter o que pretendem. Nao me parece que estejam inclinados para negociacoes de paz, nem eles nem os ucranianos. Nao vale a pena manifestar fraqueza frente ao projecto nacional-imperialista russo de inspiracao fascista, os ucranianos mostram toda a capacidade.»

 

Resposta de JMFB (10/4/22):

Posso estar enganado, mas penso que com o aparecimento das armas nucleares tácticas se operou uma transformação profunda na estruturação dos conflitos político-militares. Manifestar fraqueza perante Putin seria grave erro, sem dúvida. Concordo em absoluto. Mas, se muito não erro, negociar e repensar atitudes não é necessariamente uma manifestação de fraqueza; é, muitíssimas vezes, a expressão do poder da racionalidade, e, nessa precisa medida, uma manifestação de força. Admito que isto seja defeito profissional de quem, como eu, dedicou grande parte da vida a pensar a ciência; mas, na realidade, vejo na humildade do racionalismo crítico-dubitativo, na capacidade de reconhecimento de erros próprios e de consequente reformulação de métodos, de atitudes, de acções, no repensar da formulação programática, no reorientar de práticas política concretas, vejo nisto tudo uma força poderosa. Para já, avizinha-se o primeiro grande combate militar alargado. O objectivo imediato da Rússia parece-me ser o de conquistar totalmente o território mais rico da Ucrânia (toda a parte oriental e central, partindo da linha Kiev-Odessa). O que significa acabar com a Ucrânia que hoje conhecemos.

 

 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Conversa virtual sobre a guerra na Ucrânia

 

O meu texto “Que guerra?”, aqui publicado há poucos dias, suscitou um comentário discordante do historiador Francisco Bethencourt que considero merecer leitura reflexiva. Levanta a questão da “submissão” e da “cedência a chantagem”. Assim sendo, tomo a iniciativa de publicar aqui (sem nenhuma alteração) parte da conversa virtual que se desenrolou na minha página do Facebook nestes últimos dias. Coloquei entre aspas os vários comentários, identificando cada um dos autores. 

 

«SUBMISSAO e o que este post e varios comentarios propoem. Tenho respeito pelos russos que perdem empregos e arriscam a vida por se oporem a uma guerra de genocidio, sem falar da obvia resistencia heroica dos ucranianos. Nenhum respeito pelos serventuarios do fascista Putin que pululam no fb portugues. Ceder a chantagem fascista nao deveria ser opcao, mas ha quem o faca com devocao. E nao me venham falar dos neonazis na Ucrania, reproducao da propaganda russa. Basta ler os textos do Putin para ver quem e fascista e imperialista».

Francisco Bethencourt

Facebook, página de JMFB, 5 de Abril de 2022

 

«Francisco Bethencourt vens aqui introduzir temas que não foram referidos no texto do João Maria de Freitas-Branco , como o neonazismo, etc....gostaria , porque obviamente te estimo intelectualmente falando, a tua opinião sobre o TEMA introduzido: parar a escalada belicista».
Maria Isabel dos Santos Isidoro

 

Resposta de Francisco Bethencourt:

«Por vontade dos europeus e americanos a guerra tinha acabado logo com a rendicao da Ucrania para que o negocio continuasse sem interrupcao. Sim, o negocio de armas mundial cresce todos os anos. Incluindo a venda de armas a Russia. Os ucranianos decidiram resistir e estragaram o arranginho que convinha a todos. Merecem todo o nosso apoio, na linha do que esta a ser feito. E o unico caso interessante dos ultimos trinta anos. Foi a opiniao publica ocidental que empurrou os governos para a tomada de posicoes decentes. Nao devemos submeter-nos a chantagem nuclear por birra dos fascistas russos nao terem conquistado um pais que acham que nao deve existir. A conversa da NATO e dos EUA a manipularem os ucranianos e boa para vender aos pobres russos sob ditadura e aos subservientes ocidentais do Putin.»
Francisco Bethencourt

 

«Francisco Bethencourt então qual é a sua proposta de luta pela Paz ? Tem de haver cedências sem submissão , mas ninguém quer ceder nada. Afinal o que é negociar ?»
Gabriela dos Ramos Pineu

 

«De momento, não me parece exequível uma negociação directa USA/Rússia, que subestimaria até o papel da Ucrânia, a vítima da agressão. Posteriormente, sim, há que fazer tudo para que haja uma ordem de segurança internacional digna desse nome. O que será muito difícil, os ânimos estão muito exacerbados, e Putin quase se auto-excluiu como interlocutor válido.»
Francisco Assunção

 

«Inteiramente de acordo, João Maria. E mais! Já por várias vezes, e desde há muito tempo, que digo que os que andam a iludir esta questão central, andam a ajudar a prolongar a guerra. São pró guerra, querem mais entretenimento! É chocante, mas é isto. Quero crer que a maior parte nem dá por isso, mas o resultado é este. Um dia vamos ter de lhes pedir responsabilidades. Sugiro que os defensores da solução guerreira sejam coerentes, peguem em armas e vão para a Ucrânia…»
Carlos Alberto Augusto

 

«João Maria de Freitas-Branco fico mais satisfeito. Mas o que defendes é a submissão da Ucrânia em nome da geoestrategia. Já te interrogaste porque estes povos (e podes acrescentar agora Suécia ou Finlândia) temem o expansionismo russo?»
António Teodoro

 

«Antonio Teodoro mas, então só se pode dizer que o Putin é um FDP? E lá por ser não se pode reflectir sobre o decorrer da guerra? Agora todos os outros desde que não sejam a corte do Putin são maravilhosos? Não nos devemos interrogar ? Pensar como será melhor para a humanidade? Acaso pensa que será melhor continuar a escalada belicista até á derrota de uma potência com armas nucleares? É essa a questão levantada pelo João Maria....nem percebo como isto não e claro!»
Maria Isabel dos Santos Isidoro

 

 

Minha resposta ao comentário inicial:

Francisco Bethencourt, Obrigado pelo teu comentário manifestando discordância. Compreendo o teu sentir que é também o meu. Mas não estarás a confundir submissão com negociação? Será que uma negociação com o inimigo é necessariamente um acto de submissão? Claro que não queremos “ceder à chantagem fascista”. Num mundo melhor, a ONU disporia de umas forças armadas com capacidade muito superior à de qualquer país e, por vontade maioritária expressa, intervinha em defesa dos princípios do direito internacional e dos valores ético-morais, e a Paz triunfava. Como não é esse o mundo em que vivemos, a coisa é mais complicada. Chegamos então ao tema do meu artigo (redigido para o blog RAZÃO e republicado aqui). Repito o que disse à Irene Pimentel: Creio ser importante perceber qual é o tema central do meu texto. A dimensão criminosa da invasão russa já tinha sido múltiplas vezes abordada por mim em escritos anteriores. Neste, é apenas um dos supostos, associado ao horrível sofrimento das vítimas; outro suposto é a colossal perigosidade desta guerra. Nessa base, introduzo o tema e coloco questões. Como p. e.: a escalada bélica concorre para a solução? Pode derrotar-se militarmente uma tirania nuclear? É isso possível? E mesmo que seja, será que devemos correr riscos tão dramaticamente perigosos para a sobrevivência da Civilização? A quem não estiver de acordo com a minha proposta para a paz, apenas peço que me digam qual é a solução alternativa. Como conquistar a paz? Dêem-me uma alternativa e ficarei satisfeitíssimo. Neste momento histórico de tão elevada gravidade, a tua opinião é muito importante. Espero ter clarificado o teor das minhas interrogativas e a fundamentação da proposta apresentada no texto. Como também disse ao António Teodoro, devíamos estar a conversar sobre tudo isto à moda antiga, à mesa da tasca, com petiscos de qualidade e bom néctar; mas neste presente é tudo virtual... Abraço!

João Maria de Freitas Branco
Facebook, 7 de Abril de 2022


Resposta de Francisco Bethencourt (8/4/22):

«Aprecio o tom desta ultima mensagem, mas nao me parece que o uso do nuclear seja para breve. A derrota da tentativa de conquista da Ucrania esta a assentar, os russos estao a digerir o triunfalismo deslocado e a humilhacao de um exercito baseado em bluff e inferiorizado por corrupcao generalizada. Optaram por concentrar-se num improvisado plano B de conquista do Donbas e da costa do mar Negro. Veremos se conseguem obter o que pretendem. Nao me parece que estejam inclinados para negociacoes de paz, nem eles nem os ucranianos. Nao vale a pena manifestar fraqueza frente ao projecto nacional-imperialista russo de inspiracao fascista, os ucranianos mostram toda a capacidade.»

 

Resposta de JMFB (10/4/22):

Posso estar enganado, mas penso que com o aparecimento das armas nucleares tácticas se operou uma transformação profunda na estruturação dos conflitos político-militares. Manifestar fraqueza perante Putin seria grave erro, sem dúvida. Concordo em absoluto. Mas, se muito não erro, negociar e repensar atitudes não é necessariamente uma manifestação de fraqueza; é, muitíssimas vezes, a expressão do poder da racionalidade, e, nessa precisa medida, uma manifestação de força. Admito que isto seja defeito profissional de quem, como eu, dedicou grande parte da vida a pensar a ciência; mas, na realidade, vejo na humildade do racionalismo crítico-dubitativo, na capacidade de reconhecimento de erros próprios e de consequente reformulação de métodos, de atitudes, de acções, no repensar da formulação programática, no reorientar de práticas política concretas, vejo nisto tudo uma força poderosa. Para já, avizinha-se o primeiro grande combate militar alargado. O objectivo imediato da Rússia parece-me ser o de conquistar totalmente o território mais rico da Ucrânia (toda a parte oriental e central, partindo da linha Kiev-Odessa). O que significa acabar com a Ucrânia que hoje conhecemos.

 

 

 

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Que guerra?

  

Pelo que consigo observar, a grande maioria dos meus concidadãos acredita que a guerra que está a ser travada em solo ucraniano é essencialmente um conflito entre dois países: a Rússia e a Ucrânia. Completa ilusão. A guerra opõe EUA, e os seus aliados, à Rússia e seus aliados, sendo que estamos quase a pisar a fina linha que separa o uso de tácticas decretadas por meios não militares das decretadas por meios militares (de acordo com a conceptualização estabelecida pela EU em 2015). Impunha-se, por isso, que, partindo de uma atitude de honesta humildade racional, os EUA e a NATO abdicassem da disposição beligerante e dessem absoluta prioridade a uma imediata negociação directa, ao mais alto nível, entre EUA e Rússia.

É de quem reivindica o estatuto de “defensor da democracia” que se espera a urgente iniciativa pacificadora. Mas não é o que se tem visto. Os arautos da guerra continuam a falar mais alto. No mundo ocidental, a acção comunicacional tende a criar opiniões públicas favoráveis à opção marcialista – veja-se o resultado na Suécia, com 59% da população a advogar a estúpida e suicidária adesão à NATO; ou na Finlândia, com o Parlamento pronto a discutir a adesão. Entretanto, estes dois países já estão a participar, pela primeira vez, em exercícios militares da NATO. Como se tal não bastasse, em face destas perigosíssimas inclinações político-militares o Secretário-Geral da NATO, parecendo querer lançar gasolina para a fogueira, declarou há poucas horas que «Suécia e Finlândia serão bem recebidas na Aliança».

É tudo demasiadamente assustador.

Não devia o Secretário-Geral das Nações Unidas tomar uma iniciativa histórica, exigindo, com o apoio de um significativo grupo de Nações, que EUA e Rússia, através dos respectivos presidentes, Biden e Putin, negociassem um urgente e imediato cessar-fogo em nome da defesa da Civilização? Não deverá Portugal, em coordenação com o Secretário-Geral das Nações Unidas (o lusitano António Guterres), estar entre os primeiros proponentes desse passo que é obrigação imperiosa?

Continuar a armar os ucranianos para vencerem os russos é erro colossal: ninguém conhece a forma de derrotar uma potência nuclear alcançando objectivos construtivos. Na perspectiva da continuidade da civilização humana, não existem vitórias possíveis num conflito mundial nuclear. Estamos muito perto do ponto em que essa ameaça devém realidade apocalíptica.

Aqui, no nosso canto ocidental, em face desse perigo estreme e considerando que os Estados membros da NATO já se encontram em guerra, com recurso a meios não militares (guerra pré-militar), não deveria ter sido pedido ao Governo que informasse sobre as condições de segurança da população nacional? Caso haja contaminação radioactiva da atmosfera (por efeito indirecto, por exemplo), de que meios dispomos para nos protegermos? Há um plano nacional de protecção? Há recursos farmacêuticos? Há abrigos?

Há uma única prioridade urgente: negociar a Paz. Já!

João Maria de Freitas-Branco
Caxias, 4 de Abril de 2022


 

 

sexta-feira, 25 de março de 2022

Neblina em tempo de guerra

 

Há cerca de duas semanas, deparei com a seguinte afirmação de Raimundo Narciso no Facebook:

«Como sabereis o Sr Zelensky poderia ter evitado esta guerra bastava-lhe informar o Sr Putin que desistira de aceitar os insistentes convites de Washington para aderir à NATO. Ora, contra o que a Casa Branca prometera a Gorbatchov em 1990, a NATO avançou desde 1997 para o cerco à Rússia estabelecendo-se em mais 14 países do Leste europeu, a toda a sua volta. »

A primeira afirmação surpreendeu-me, dada a sólida cultura político-militar deste meu amigo e conhecido combatente antifascista. A segunda declaração é uma verdade factual que qualquer pessoa intelectualmente honesta subscreve (sendo que há gente poderosa a querer ocultá-la, disfarçá-la e até mesmo negá-la), mas que neste preciso momento, no contexto da agressão bélica da Rússia, dá azo a interpretações ambíguas, tendencialmente justificativas da decisão de Putin e recorrendo à habitual argumentação adversativa (sou contra Putin, mas…, condeno, contudo…, no entanto…, abundam por aí os exemplos), argumentação que os que a usam parecem não sentir como eticamente inaceitável no momento histórico presente. Além disso, reforçando a ambiguidade, ou até mesmo a intenção de justificar uma ilegalidade criminosa (a invasão da Ucrânia), o texto acompanhava a imagem de um cartoon em que o presidente dos EUA, Joe Biden, é representado de pé, com as mãos a escorrer sangue e pisando uma montanha de cadáveres de vítimas da política americana nas últimas décadas, em vários cantos do globo.

No actual contexto bélico, as afirmações e a divulgação do cartoon mereceram-me o seguinte breve comentário sob a forma de carta aberta:

 

Raimundo, caríssimo Amigo,
Será que acreditas mesmo que «o Sr. Zelensky poderia ter evitado esta guerra, bastando para isso ter «informado o Sr. Putin que desistia de aceitar os insistentes convites de Washington para aderir à NATO? Acreditas mesmo que o tirano de Moscovo ouvia a declaração do Sr. Zelensky e de imediato desistia do titânico plano belicista de invasão da Ucrânia, plano meticulosamente delineado ao longo de dois anos (pelo menos)?

Quanto ao “boneco exibido”, é incontestável que retrata uma trágica realidade; mas dizer uma verdade, por mais sólida que ela seja, pode ser acto pouco digno em determinado contexto. Se não me equivoco, o caso vertente disso mesmo é exemplo. Porque, queiramos ou não, a verdade que o cartoon por ti publicado transporta concorrerá, inevitavelmente, na presente situação, para uma qualquer forma de justificação do injustificável: a invasão da Ucrânia pelo exército russo e a consequente inauguração de uma guerra que ameaça a paz mundial. Abraço.
[Facebook, 12 de Março de 2022; não junto resposta do destinatário porque ele não a deu.]

 

O que me motivou a trazer aqui estes escritos é uma minha preocupação de fundo que se tem vindo a agravar com a observação de opiniões publicadas, disseminadas por vários espaços públicos. Qual é essa minha preocupação? É a seguinte: num momento histórico exigente de elevada lucidez está a adensar-se uma neblina mental no plano das elites; está a agudizar-se de forma acelerada uma crise do pensamento.

Voltarei recorrentemente ao tema por o considerar essencialíssimo no tempo presente.

João Maria de Freitas Branco

GUERRA


Entramos hoje no segundo mês de guerra na Ucrânia, um conflito que para além das tragédias já causadas constitui, hora a hora, uma ameaça para o mundo. Neste dia de passagem do primeiro para o segundo mês de guerra vem-me à memória a seguinte afirmação do escritor George Orwell depois de ter vivenciado a guerra em solo espanhol, na Catalunha, nos anos 30 do século passado:

«O facto é que todas as guerras padecem de uma espécie de degradação progressiva a cada mês que passa, porque coisas como liberdade individual e imprensa de confiança são simplesmente incompatíveis com a eficiência militar»

JMFB, 25 de Março de 2022

terça-feira, 22 de março de 2022

Guerra e Crise do pensamento

 

Vejo que a guerra actual suscita por aqui (em algumas páginas) acesas polémicas em que se contabilizam méritos dos exércitos dos EUA, da URSS e de outros Aliados no desfecho da segunda Grande Guerra. Isso motiva-me a enunciar três interrogativas:

 

Não será intolerável desrespeito para com todos os que corajosamente combateram o nazi-fascismo enveredar por exercícios contabilísticos? Não será atitude portadora de inadmissível deselegância ético-política? Ou será uma das faces visíveis da grande crise do pensamento?

João Maria de Freitas Branco
22 de Março de 2022